segunda-feira, 7 de abril de 2014

Educação Escolar para pessoas com surdez


Desde muito tempo existe a dialética entre aqueles que acreditam nas ideias das tendências gestualistas e oralistas no que se refere à educação das pessoas com surdez. Damázio (2010) diz que há apenas à aceitação de um método, um único processo de aprendizagem, seja gestualista ou oralista o que deixa de lado o ponto principal dessa educação que é a percepção das potencialidades individuais e coletivas das pessoas com surdez e passam a contribuir para a sua segregação social.
Hoje a educação especial tem ganhado nova percepção com foco para as especificidades das pessoas com deficiência. Porém o surdo não pode e nem deve ser encarado como um deficiente e sim como alguém com limitação para a função perceptiva auditiva.
Questões como práticas pedagógicas nas escolas públicas ou até mesmo privadas precisam ser reavaliadas para que o processo de aprendizagem aconteça de fato já que as pessoas com surdez são amplamente capazes de aprender e desenvolver diversas habilidades.
Os processos perceptivos, linguísticos e cognitivos das pessoas com surdez deverão ser estimulados e desenvolvidos, afim de torná-los sujeitos capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, tanto com a aplicabilidade de sua própria língua quando capazes de utilizar o português escrito ou até mesmo falado.
A real aplicação de práticas pedagógicas eficientes e consistentes é de fato o que irá gerar o sucesso ou o insucesso do aluno surdo dentro do âmbito escolar, pois independente da comunicação falada, o processo de aprendizagem dar-se-á de tantas formas possíveis quantas forem o estímulo a ele dado.
No bilinguismo vimos essa correlação do processo de aprendizagem entre a língua natural do aluno e uma segunda língua adquirida durante esse processo de aprendizagem no âmbito escolar o que reforça a aplicabilidade e funcionalidade do Atendimento Educacional Especializado (AEE) para pessoas com surdez, diante de uma visão inclusiva para a construção de inúmeras possibilidades para a aprendizagem, seja ela contextualizada e significativa, valorizando seu potencial e desenvolvendo suas habilidades cognitivas, linguísticas e sócio afetivas.
No Atendimento Educacional Especializado (AEE) voltado para o aluno surdo, a utilização da Língua Brasileira de Sinais o aluno tem possibilidade de rever todos os conteúdos curriculares através da língua de sinais, óbvio que respeitando a preferência de que seja ministrada por um professor surdo e depois de analisado o nível de conhecimento do aluno nesta língua, as atividades poderão ser planejadas afim de favorecer o conhecimento e aquisição de termos científicos, mas no AEE para o ensino da Língua Portuguesa a preferência é para o professor graduado nesta área, para que possa ensinar o português com metodologia de segunda língua na modalidade escrita, e quando possível na oral, se for à opção do aluno.
O AEE é uma ferramenta indispensável a educação dos alunos com surdez e se faz necessário com demasiada urgência, pois hoje o que percebemos é a tomada desses alunos como incapazes e que são colocados apenas como números em estatísticas escolares aumentando a massa e de fato não sendo auxiliados para sua autonomia e estímulo à convívio social sadio.

Referências:

·         DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo; FERREIRA, Josimário de Paulo; Educação Escolar de Pessoas com Surdez, 2010, revista Inclusão do Ministério da Educação, p. 46-72.